ARTE FINAL (FONTE: JORNAL ESTADO DE MINAS).
Este ano vai ser 10!
Almir Sales (foto):"É um ano eleitoral e Minas já se firmou nacionalmente como grande produtor de marketing político"
As agências mineiras, em 2009, demonstraram ser, além de criativas, eficientes e ágeis no enfrentamento e superação de crises. O mercado foi pouco afetado, diferentemente de outros centros como São Paulo e Rio, onde a “marolinha” gerou fechamento de empresas de comunicação ou dispensas em massa.
Mas e quanto a 2010? “A luta continua, companheiro”, parodiando o conhecido jargão petista. As agências têm pela frente empreitadas fortes. Além da verba publicitária represada no ano passado, que os anunciantes vão usar este ano, teremos a Copa do Mundo em junho e as eleições de outubro para governador, presidente e Congresso.
Experts tanto em situações de vacas magras quanto em momentos promissores, ex-presidentes do Sindicato das Agências de Propaganda de Minas (Sinapro-MG) orientam empresários e profissionais de criação sobre como lidar com as fortes demandas de 2010, “que promete muito”, como ressalta Juliano Sales, atual presidente da entidade. Planejamento de vanguarda, ousadia e oportunismo aguçado são alguns conselhos dados por esses experientes publicitários.
SEM MESMICE – Álvaro Resende, um dos fundadores do sindicato que reúne as agências mineiras e presidente da RC Comunicação, observa que a Minas a crise de 2009 praticamente não chegou. “Ao contrário, surgiram agências e empresas antigas foram reativadas”, diz.
“Quanto a 2010, tem tudo para ser o ano da propaganda brasileira e mineira”, frisa o publicitário, ponderando: “E se estamos bem, com o time azeitado, engrenado, sem cicatrizes da crise, que passou longe, empresários da propaganda e seus criativos têm tudo para bombar. E como? Sair da mesmice e partir para estratégias ousadas, criação indo ao cliente, mídia inteligente, fazendo sinergia entre os veículos, e um planejamento ousado, trabalhando não apenas produtos ou serviços, mas a marca, o maior patrimônio de qualquer empresa”.
E dá uma injeção de otimismo: “Dois mil e dezjá começou bem, com os números dizendo que será um ano nota 10, com todos nós trabalhando a mil”.
IDEIAS – “A comunicação evoluiu a uma velocidade espantosa nos últimos 30 anos e o ferramental à disposição também evoluiu. E, é claro, os clientes também aumentaram”, afirma Helinho Faria, ex-presidente do Sinapro-MG e presidente da Faz Comunicação. “Aplicar ideias, conceitos e soluções se tornou mais difícil, mas não menos estimulante e excitante”, diz, complementando: “Em 2009, nosso setor experimentou um salto qualitativo, apesar da verba reprimida. Em 2010, o salto será ainda maior. Temos a Copa do Mundo e as eleições, para ficar só nesses eventos. E já devemos pensar 2014, quando BH será uma das sedes do maior evento esportivo do mundo em matéria de paixão”.
Sua receita: “É fundamental dar o devido valor ao planejamento. Essa será a peça-chave de tudo. A agência que quiser sair na frente terá de saber usar bem essa ferramenta. E ousadia, ousadia já. Portanto, ousem. Vamos virar a página e respirar novos ares. Bons ventos sopram em nossa direção”.
CAVALO ARREADO – Hamilton Gangana, outro ex-dirigente da entidade, afirma que “o cavalo está solto e bem arreado. Ninguém vai querer ficar a pé”.
E explica: “Saímos na frente e ganhamos a guerra contra os apologistas de crises. E 2010 já começou claro como a luz do sol. Números auspiciosos, metas atingidas, boas previsões de crescimento e um calendário promissor, ostentando dois megaeventos pra ninguém botar defeito, Copa e eleições”.
Nada melhor para o mercado publicitário, depois de uma tempestade devastadora.
“Estrategistas de marketing, especialistas em planejamento e pesquisas, analistas de comportamento já estão atuando nas agências. Com os criativos e executivos, compõem um mutirão de mangas arregaçadas, trabalhando 25 horas”.
“Dois mil e dez pode se tornar um ano de ouro para todos os que souberem tirar proveito com ousadia. Anunciantes ávidos por bons negócios e alto retorno, agências trabalhando em tempo integral para não perder oportunidades, fornecedores preparados para atender às necessidades do mercado e os veículos dando suporte a todo esse movimento”, observa o experiente Gangana.
PARCEIROS – Segundo José Maria Vargas, presidente da Staff e diretor-secretário da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), “para um ano que começou ameaçado pela crise, que se dizia ser a maior desde o crash de 1929, 2009 foi um ano surpreendentemente tranquilo. Nós, do mercado publicitário, não podemos nos queixar muito”.
“O ano passado foi importante também porque sentimos que os clientes voltaram a perceber a importância da publicidade para a vitalidade dos negócios. A considerar os publicitários como parceiros estratégicos imprescindíveis, principalmente em cenários econômicos nebulosos.”
“A tal crise ficou mais para bug do milênio do que para 11 de setembro. Para 2010, as expectativas são as melhores”, brinca o ex-dirigente do sindicato.
INVESTIMENTOS - Almir Sales analisa 2009 como um ano que trouxe ensinamentos à economia brasileira e à propaganda. Depois de derrotar o fantasma da crise, frisa o diretor-presidente da Casablanca e ex-presidente do sindicato, “os investimentos começaram a voltar e a expectativa é de crescimento em 2010. Trata-se de um ano eleitoral e Minas já se firmou nacionalmente como grande produtor de marketing político, tendo centenas de profissionais especializados nessa área”.
Outro fato que marcou 2009, diz Sales, foi a criação do Museu da Comunicação. “Trará uma enorme contribuição ao mercado e aos profissionais, principalmente para os que estão chegando”, destaca.
OPORTUNIDADES – Carlos Monteiro, também ex-dirigente da entidade que congrega as agências mineiras, observa que 2010 será um ano de oportunidades. “A participação do Brasil no cenário internacional e o ingresso das classes C e D na economia nacional vão demandar um esforço muito grande dos empresários.”
“Os anunciantes terão de fazer parcerias eficientes com a comunicação para o sucesso de seus empreendimentos. Quanto a nós, publicitários, temos de aproveitar o ufanismo, que está abundante neste país, e desenvolver ainda mais as nossas oportunidades de negócios”, orienta.
ENVOLVIMENTO – Atual presidente do sindicato e diretor da Casablanca, Juliano Sales diz que as agências devem adotar um novo posicionamento diante das demandas de 2010 – “um ano que promete muito” – e das exigências desse novo perfil de anunciante.
“As empresas de publicidade precisam ficar mais antenadas e vanguardistas. Oferecer anúncios e VTs, sim, mas mergulhar fundo no cliente, mais envolvimento no seu negócio. Pensar em soluções que, em alguns casos, extrapolam os limites da comunicação. Os profissionais e agências que conseguirem trilhar esse caminho terão um futuro promissor”, prevê Juliano.

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